E eu continuo conhecendo meu Rio Grande do Sul, atrás de dança e de música. Dessa vez fui para Guaporé.
A fofa da Monica Mahasin organizou um evento que reunia um show com os músicos de Sami Bordokan e bailarinas e workshop no dia seguinte. (E ainda disponibilizou a casa da vovó para hospedar as malucas de Porto Alegre. Um doce – as duas, mais mamãe que nos providenciou ainda o lanche da noite, quando não havia mais nada aberto na cidade – linda, mas de interior, né?)
O show foi lindo. Ouvir alaúde, nay, mizmar e qanoun de uma vez, aqui no Sul, é experiência muito rara. E por músicos de alto nível. Dá pra notar o quanto isso amplifica a performance das bailarinas que tem sensibilidade musical. Bonito, muito bonito mesmo.
Mas o workshop foi ainda mais que isso. Para mim, foi um divisor de águas. Não vou dar grandes detalhes, porque vocês precisam levar o Sami para a cidade de vocês e sentir o poder da arte desse homem e dos que o acompanham. Ah, na sua cidade tem músico árabe? Com formação acadêmica? Não, né? Ah, tem? Experimenta mesmo assim. Aposto o dedinho anular da minha mão esquerda (que eu careço muuuuuuito pra tocar derbake e mais ainda para o daff) que você não vai se arrepender.
Deixo com vocês o depoimento que mandei para a Monica, com a emoção do momento:
“A música e dança árabes entraram na minha vida há mais de dez anos e nunca mais sairam. Isso porque me trazem um estado de espírito, um júbilo, um encantamento, que nunca soube explicar, nem para mim mesma. TInha vezes que achava que era viagem minha, mas o encanto continuava e continuava, me mantendo prisioneira até hoje.
Sami Bordokan teve o poder de esclarecer esse mistério. Foi o único profissional do meio que me permitiu entender que muito mais do que uma arte de entretenimento, a música árabe (e a dança, seu espelho) é uma forma ancestral de trabalhar a alma do homem, uma arte onde o elemento espiritual é tão ou mais importante que a técnica ou mesmo que a criatividade. A única questão é que, se meu elo com ela foi esclarecido, tornou-se ainda mais forte – uma doce prisão à qual eu nem sonho em resistir.
Apenas por isso o workshop já teria valido uma vida. Mas ainda tivemos explicações da estrutura dos concertos, dos ritmos, das escalas, enfim, dos esquemas de “funcionamento” da música árabe, de forma clara e precisa, informações preciosas para a leitura musical da bailarina e para a apreciação de música árabe clássica.
Mas não ligue ainda! Também fomos agraciadas com performances de pura magia! (Quem nunca teve a oportunidade de ouvir o som do alaúde, do qanon e do mismar ao vivo, fique sabendo que é uma experiência tão diferente da audição da gravação, quanto ver uma grande bailarina ao vivo e em vídeo.)”
Na verdade, teria muito mais. Mas tiraria a surpresa e, além disso, eu estaria relatando a experiência de outras pessoas, então fico por aqui.
Beijocas a todas e desculpem o sumiço técnico!


